Um grande susto e um grande alívio

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

O Benfica qualificou-se este domingo para a quarta eliminatória da Taça de Portugal ao eliminar o Penafiel, por 5-3, após a marcação de grandes penalidades, depois de o marcador ter registado um nulo no final do prolongamento. A equipa benfiquista sofreu bastante perante um Penafiel organizado e com enorme disponibilidade física, mas na hora das grandes responsabilidades revelou frieza e total eficácia nos castigos máximos.Na primeira parte, o Benfica (onze titular muito diferente daquele que alinhou diante do Leixões) evidenciou dificuldades perante a forte pressão alta do Penafiel no primeiro terço do terreno, o que obrigou a equipa de Quique Flores a utilizar bastante os passes em profundidade. Na ala esquerda, Léo não conseguiu desequilibrar com as suas entradas nem através de combinações com Urreta que raramente dispôs de metros para galgar terreno nas diagonais. No lado oposto, o cenário também foi o mesmo, ou seja, Miguel Vitor revelou dificuldades para ligar jogo com Balboa, sendo que o extremo apenas nos últimos minutos conseguiu um tipo movimento de flaqueamento.Houve mérito do Penafiel na sua forma pressionante, assim como no rigor táctico em termos defensivos posto em prática, mas também houve falta de velocidade e movimentos repentinos. Pelo meio, o panorama também não foi o melhor, uma vez que Binya sentiu em demasia o amarelo injusto com que foi punido aos 22' (uma errada decisão de Paulo Batista que limitou os movimentos do jogador camaronês) e Rúben Amorim não esteve ao seu nível habitual nas acções de rompimento nem no capítulo do passe, sobretudo nas variações de flanco.Perante este quadro não surpreendeu que o Benfica criasse a sua melhor ocasião numa perda de bola do adversário aos 20' que culminou num violento remate à barra de Di Maria e que apenas por uma vez tivesse fabricado uma jogada de envolvimento colectivo (combinação entre Balboa e Urreta, seguida de um remate por cima de Makukula aos 18'). No capítulo defensivo, o Benfica também não esteve ao seu nível habitual (longe disso), essencialmente na vertente da pressão, permitindo que o adversário saísse relativamente à-vontade de trás para a frente.Inevitáveis alteraçõesNa fase inicial da etapa complementar o panorama não se alterou e Quique Flores avançou para as substituições, fazendo entrar Suazo e Reyes para os lugares de Urreta e Balboa. Com estas alterações, o avançado hondurenho fez parelha com Makukula e Di Maria passou para extremo direito.As alterações melhoraram o volume ofensivo da equipa, mas o trabalho sem bola continuou a não ser o melhor, pelo que o Penafiel foi aumentando o seu índice de confiança. Suazo, aos 58', depois de um bom domínio de bola à entrada da grande área, rematou ligeiramente por cima do travessão, no entanto, o momento do avançado não significou (a contrário de todas as expectativas) o arranque definitivo dos encarnados para um domínio avassalador simplesmente porque faltou capacidade de pressing e isso fez com que a equipa andasse para cima e para baixo frequentemente.À passagem do minuto 77 verificou-se uma nova alteração na equipa, desta feita forçada – Miguel Vitor saiu lesionado depois de uma entrada muito feia de Zé Nando merecedora de expulsão (para mais o jogador do Penafiel já tinha um cartão amarelo). A saída de Miguel Vitor levou Binya para a direita da defesa e colocou Katsouranis, vindo do banco, no centro do terreno. E com o grego em campo, o Benfica ganhou mais aceleração no seu jogo e aos 80', num cruzamento de Reyes, Makukula atirou ligeiramente por cima do travessão, de cabeça.Infelicidade de MakukulaO filme repetiu-se quatro minutos depois, mas com uma ligeira alteração: o cabeceamento de Makukula desta feita acertou no poste, num lance bem sintomático de que a noite iria ser de sofrimento. E mesmo no dealbar do tempo regulamentar foi a vez de Di Maria estar muito perto do golo – o argentino isolou-se pela esquerda da grande área e em vez de rematar optou por um passe para o centro da grande área que acabou por ser interceptado por um defesa contrário.Na fase de prolongamento, surgiu o melhor Benfica mas os nervos falaram-se sempre mais alto na hora da finalização. Reyes, por exemplo aos 97', atirou ao lado depois de um corte in-extremis de um defensor adversário, após um cruzamento recuado de Suazo e à passagem do minuto 117 Makukula, no coração da grande área, atirou à figura de Ze Eduardo. O Penafiel, nesta altura, estava finalmente encostado às cordas e, mesmo antes da ida aos castigos máximos, Makukula voltou a falhar o alvo por pouco ao cabecear por cima de cabeça, na sequência de um grande cruzamento de Binya.A desinspiração na finalização ditou então a ida às grandes penalidades e aí a equipa de Quique Flores realizou uma grande exibição de eficácia ao concretizar com êxito todos os cinco remates. E como Moreira defendeu, com classe, o terceiro castigo máximo do Penafiel, o Benfica garantiu a (difícil) qualificação para a fase seguinte. Foi um grande susto e ao mesmo tempo um grande alívio.

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