sábado, 25 de outubro de 2008
Um golo de Angelito Di María (forjado por um Nuno Gomes todo-o-terreno) quase deu a vitória a um Benfica totalmente de ataque na capital alemã. No entanto, ainda não foi desta que o muro estatístico da falta de vitórias benfiquistas em solo alemão ruiu. É que o Hertha (equipa de topo do futebol germânico, nesta altura) conseguiu chegar ao empate perto do final de um jogo emocionante.Feitas as contas, resultado positivo na entrada em cena benfiquista no Grupo B da Taça UEFA.De Gomes a VoroninUma excelente entrada em campo, coroada com uma grande oportunidade de golo, logo aos quatro minutos, e uma decrescente capacidade de sair a jogar com bola, à medida que os minutos foram passando, ilustram a exibição benfiquista ao longo da primeira parte. Uma postura adulta, uma tremenda facilidade de trocar a bola e de chegar à frente com perigo e um conceito defensivo agressivo e eficaz levaram o Benfica a entrar melhor numa partida em que Yebda teve de ficar de fora (cedeu o lugar a Binya), contra todas as expectativas, e em que Quique Flores abriu o jogo, dando os flancos a Reyes e a Di María.E foi o argentino quem, numa incursão pelo meio, tabelou com os companheiros de sector e cedeu o esférico a Nuno Gomes que, um pouco ao estilo daquele momento de sonho ante a Espanha, no EURO 2004, “fingiu” a tabela para, depois, atirar rasteiro e forte, desta feita vendo a bola sair a rasar o poste após resvalar num defesa germânico. Lance único de grande perigo do Benfica numa primeira parte que, aos poucos, se foi fidelizando aos donos da casa.De facto, o Hertha, apostando num futebol mais técnico e apoiado do que é habitual nos conjuntos alemães, envolveu, a partir dos 20 minutos de jogo, o Benfica, vindo, então, ao de cima a eficácia do sector mais recuado dos portugueses. Não é que o Hertha dominasse claramente, mas dispunha de mais jogo, mercê da dificuldade benfiquista na primeira fase de construção de jogo. O que é certo é que só no minuto 37 Quim foi chamado a mostrar a sua qualidade, parando um remate para golo do ex-Liverpool Voronin (belo passe de Cícero).De Di María a PantelicÉ certo que o empate beneficiava o Benfica, mas Quique quis alterar a formatação atacante do Glorioso e lançou Suazo em jogo, apostando na velocidade do hondurenho e abdicando da potência de remate e sentido posicional de Cardozo. E deu-se bem o técnico espanhol, pois, mal entrou em jogo, o “italiano” mostrou a sua qualidade, cedendo o esférico a Nuno Gomes que, com classe, isolou Di María que, após galgar 20 metros, esperou pela saída do guarda-redes e atirou a contar, fazendo o seu segundo golo pela camisola do Benfica depois de ter sido também na Alemanha (em Nuremberga) que marcara de águia ao peito, na época passada.Pedia-se ao Benfica que soubesse, mais do que nunca, segurar a posse de bola no meio-campo contrário, protegendo-se, assim, da ofensiva contrária (pois era a hora de os alemães darem o tudo por tudo, juntando Pantelic a Voronin na frente), optando Quique por Carlos Martins (saída de Katsouranis), tendo em vista aproveitar a capacidade do médio português em causar rupturas nas transições de jogo. Por outras palavras, o técnico espanhol a mostrar, mais uma vez, tendência ofensiva, não se contentando com um futebol de contenção, mesmo vencendo em casa de um dos mais fortes conjuntos alemães da actualidade. E se dúvidas existissem acerca dessa tendência, eis que Quique apostou, a 20 minutos do fim, em Urreta no lugar de Reyes. Tudo seria perfeito, é certo, mas eis que Pantelic (que até andava às avessas com o treinador) tirou da cartola um remate indefensável, empatando a partida à entrada do último quarto de hora. Era o prémio para a persistência alemã que, logo de seguida, ficou muito perto da vantagem, num remate de Voronin às redes laterais.O destino da partida parecia traçado: uma das equipas teria de vencer, pois ambas estavam formatadas para tal. Esperava-se uma emocionante dezena final de minutos e foi isso mesmo que aconteceu, com ambas as formações lutando até à exaustão pela vitória (o Hertha em lances lateralizados e o Benfica em fortes transições ofensivas). No final, justo empate numa partida aberta e com bons apontamentos em termos técnicos. O Benfica quis ganhar, não conseguiu, mas garantiu um ponto que se pode revelar importante numa fase de grupos em que os três primeiros se apuram para os 16 avos-de-final.


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