«A minha história é o Benfica»

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Aos 17 anos, Roderick Miranda está a viver aquele que será, porventura, o melhor período da sua vida futebolística (quase toda ela ao serviço do Benfica). Não só se sagrou campeão nacional de juvenis (na passada temporada) como, de seguida, pegou de estaca nos juniores, sendo habitual titular. Por outro lado, tem sido chamado às selecções nacionais onde, revela, até já chorou de orgulho. Este central ou médio defensivo faz lembrar o inesquecível Carlos Mozer, dizem alguns, mas, segundo o mesmo, tem um estilo diferente, preferindo olhar para o exemplo mais recente de Miguel Vítor como alguém que singrou no futebol de formação do Benfica e que conseguiu marcar a sua qualidade no plantel principal. É esse o seu sonho. É esse o seu objectivo.Descoberto por Nené- Todos os jogadores têm uma história de vida relativa aos primeiros tempos, quase sempre incertos, no mundo do futebol. Qual a tua história?A minha história começa nos meus genes. O meu pai e o meu irmão mais velho passaram pelo Estrela da Amadora e acho que isso me influenciou a acreditar em mim. Aos oito anos já jogava no Odivelas e o que é certo é que me saí bem, pois fui observado pelo Nené e ele terá gostado do que viu. Ou seja, à segunda época, já estava no Benfica.Desde então, a minha história é o Benfica.- Tal como todos os jogadores, terás vivido coisas boas e coisas más.Memórias desses momentos?Sim. Lembro-me, por exemplo, que nos iniciados, há três anos, senti que não estava a mostrar tudo o que valia, sentia que não estava a ser um jogador à Benfica. Senti-me mal por isso. Mas o reverso da medalha foi vivido na época passada, quando conquistei o meu primeiro título nacional, pelos juvenis. Foi uma alegria imensa.- Um ano especial, sem dúvida...Sim, e um ano em que consegui tirar as dúvidas quanto ao facto de ter qualidades suficientes para ir mais além. Foram momentos muito importantes num ano muito bonito, tanto a nível pessoal como futebolístico.Médio Defensivo que também 'fala à central'- Entremos, agora, em campo. Há quem diga que tu és melhor a central, há quem defenda que prefere ver-te como médio defensivo...(Risos) É normal as pessoas opinarem. Pessoalmente, sinto-me melhor como médio defensivo, porque tenho mais bola e também a capacidade de organizar jogo. No entanto, também gosto de jogar a central. Ou seja, vou utilizar o velho chavão que diz que o que interessa mesmo é jogar.- Tiradas as dúvidas, só mais uma questão a nível técnico: quais os teus pontos fortes e pontos em que tens de melhorar?Se por um lado sei posicionar-me dentro de campo, ler os erros dos outros jogadores e revelar inteligência, não complicando, por outro, acho que tenho de ganhar mais velocidade.- De qualquer forma, e insistindo nesta questão, há já quem diga que poderás vir a ser um futuro Mozer, passe o exagero. Como reages a esse comentários?Sinceramente, acho que temos estilos diferentes. Agora, se me falarem no que ele significou para o Clube, então só tenho de dizer que seria um sonho chegar onde ele chegou.- Ainda assim, estás a ter um excelente início de época. Acreditas que poderás vir a seguir os passos de Miguel Vítor, um jogador que, um pouco ao teu estilo, também deu nas vistas e que está agora no plantel principal?Sinto que tenho capacidade. Vou continuar a trabalhar muito para conseguir um dia viver o sonho que ele está a viver. Há que ter, por outro lado, esperança que depositem confiança em mim, como aconteceu com o Miguel. Vamos ver... ainda agora estou a começar nos juniores.Chorr de quinas ao peito- Mas é um começo a todo o gás.Sim, é verdade. Acho que o segredo tem a ver com o facto de as diferenças de ritmo, que me poderiam prejudicar numa transição de juvenil para júnior, estarem, antes, a beneficiar-me, pois estou rodeado de jogadores de grande qualidade e o meu futebol está talhado para servi-los.- Acreditas que o Benfica tem, este ano, capacidade para ser campeão nacional de juniores?Acho que temos, acima de tudo, um plantel com muita qualidade, onde abundam elementos criativos no meio-campo e ataque. Por outro lado, temos uma defesa aguerrida e forte. Temos crescido muito, estando cada vez mais entrosados. Somos candidatos ao título. - Como é trabalhar no Caixa Futebol Campus?Temos todas as condições. Para mim, que já estou cá há muito tempo, é fácil notar as diferenças. Somos ajudados por todos e sentimo-nos em casa. Depois, claro, trabalhamos mais perto dos nossos ídolos, os seniores. Muitas vezes, quando acabamos o treino, ficamos a vê-los trabalhar. Depois, no refeitório, eles brincam connosco. São muito simpáticos e não geram qualquer tipo de distância.- Tens vivido um período positivo ao nível das selecções nacionais.Que balanço fazes desta outra experiência?Sim, em pouco tempo passei pelos Sub-17, Sub-18 e Sub-19. Tem sido uma experiência formidável, única. A primeira vez que fui chamado nem acreditei. Depois, no primeiro jogo, ao ouvir o hino e ao ver as Quinas ao peito... chorei. Só tinha mesmo de chorar.

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