sábado, 25 de outubro de 2008
O Site Oficial do Benfica não quis passar ao lado das comemorações do quinto aniversário do novo Estádio da Luz e conversou, em exclusivo, com Luís Filipe Vieira, Domingos Soares de Oliveira, Rui Costa e Nuno Gomes. Quatro homens, uma ideia comum, a mesma paixão e idêntica ambição. Têm papéis diferentes mas todos usam a águia ao peito com a mesma perseverança. A Luz é a sua casa, a capacidade de trabalho a imagem de marca, o Benfica… a causa.» Saiba tudo sobre o 5º. Aniversário do Estádio da Luz» Inauguração - Adeptos contam as suas histórias em discurso directo...Uma visão…Quantos se lembrarão, dentro de algumas décadas, o que era o Benfica da viragem do milénio? Quantos recordarão a forma como se revelou decisivo para a sobrevivência do Clube a construção de um novo estádio? Luís Filipe Vieira, contra muitos “promotores” da desgraça, foi em frente com uma ideia, com um conceito, tendo inaugurado a Luz da esperança, já como presidente. Passados cinco anos, diz que valeu a pena: «Foi um sonho concretizado. Um sonho em que a vontade e o optimismo de alguns conseguiu concluir um projecto e impô-lo, contra muitas pessoas que preferiram mergulhar no pessimismo, recusando-se a acreditar que tínhamos meios e capacidades de levar o projecto a bom porto. O estádio personifica a visão que naqueles anos tive do que deveria ser o Sport Lisboa e Benfica, ou seja, elevar a auto-estima dos benfiquistas e virar o Clube para o futuro e para a modernidade». Uma modernidade que, em cinco anos, tornou o presente naquilo que muitos nem num futuro longínquo imaginariam: «O Benfica ganhou uma nova casa, com mais condições, reforçou a sua identidade de clube inovador e moderno e criou condições, também através do estádio, para se dotar de armas que lhe permitirão pagar o próprio complexo desportivo como também, no futuro, gerar receita», salienta o presidente benfiquista.Homem de projectos, de ideias e de concretizações, Domingos Soares de Oliveira, administrador executivo da SAD benfiquista, pormenoriza a forma como o Benfica tem sabido rentabilizar as capacidades do novo estádio: «Quando foi construído, entendeu-se que não devia ser apenas um espaço desportivo, mas sim um lugar que acolhesse, diariamente, os benfiquistas. Construíram-se os dois pavilhões, utilizados regularmente por todo o tipo de camadas etárias; as piscinas, frequentadas por milhares de pessoas; o relvado sintético, que funciona durante um elevado número de horas diárias; o Wellness, com muitos utentes; as visitas ao estádio; as festas de aniversário… enfim, várias formas de potenciar o uso do estádio. E teremos agora a Benfica TV nas nossas instalações, o que prova que para apenas cinco anos de existência, este é um estádio com muita vida».Por outro lado, aquele responsável revela um pouco do “segredo do negócio” que leva a que nos próximos anos a Luz esteja paga… pela própria Luz: «Tivemos a vantagem de o Benfica ser inovador numa série de questões. Além da adopção dos namings, processo que poderá ter maiores evoluções no futuro, optámos por um espaço comercial com um conceito de loja âncora, o Media Market, e por poucos mais espaços comerciais. Isso leva-nos, hoje, a ter as áreas comerciais 100 por cento ocupadas, com os lojistas a pagarem as suas rendas sem atrasos. Por exemplo, o Alvaláxia, por ser composto por um espaço amplo e muitas lojas, acabou por ter um problema do ponto de vista de rentabilização. Claro que temos as receitas dos camarotes e dos lugares fundadores que são afectas directamente ao reembolso do estádio, mas o arrojo nos namings e a filosofia de exploração do espaço comercial formaram um conjunto de receitas que fazem com que até mesmo os críticos da altura reconheçam que se o estádio era um problema tornou-se hoje numa solução», conta. Uma solução com evoluções à vista: «Se caminharmos no tempo, pode dizer-se que as receitas do estádio, além de pagarem o estádio nos próximos anos, também começarão a ser canalizadas gradualmente para o futebol, algo que surgirá quando acontecer a fusão entre o Benfica Estádio e a Benfica, SAD».À flor da relvaClaro está que o sucesso da nova Luz não apaga as boas recordações do antigo estádio. Rui Costa que o diga: «Cresci no antigo Estádio da Luz. Sempre considerei que tinha uma magia muito especial. Era um inferno para quem aqui vinha, mas essa é uma magia que se vai construindo com os anos e penso que este recinto segue esse caminho. Toda a gente diz, e com razão, que a nova Luz é um dos estádios mais bonitos e modernos do mundo. Só temos de nos orgulhar do passado e do presente», afirma o director desportivo que, outrora, foi um ídolo nos relvados das… “Luzes”. «No antigo estádio recordo, com especial carinho, a conquista do Mundial de Sub-20, o Benfica-Parma em que os adeptos me cantaram os parabéns e também o meu melhor golo de sempre, diante da República da Irlanda, numa noite chuvosa. No novo, foi inesquecível o meu regresso à Luz e, claro, a despedida, que sempre recordarei». Mágoas, também existiram: «Como esquecer aquela derrota na final do Europeu, com a Grécia? De qualquer forma, foi bom ter feito parte desse Europeu e ter marcado dois golos aqui na Luz, qual estádio talismã para mim».Um talismã que se estende à história da carreira do actual capitão do Benfica. Nuno Gomes, o 21 que, há exactamente cinco anos, marcou (ante o Nacional de Montevideu) o primeiro golo de sempre na nova Luz: «Foram momentos únicos. Estávamos todos muito ansiosos por esse jogo. O estádio estava lindo e só quem esteve presente na Luz, nessa noite, poderá recordar tal momento para sempre. Foi um tremendo orgulho ter sido o primeiro a fazer um golo no estádio e logo numa altura em que regressava após uma operação que me privou de jogar durante três meses. Juntei, mais do que nunca, o útil ao agradável».Curioso o facto de o avançado voltar a reencontrar-se com a história cinco anos depois. É que, ante a Naval 1.º de Maio, precisamente no jogo em que se comemora o 5.º aniversário da Luz, em que se sentará nas bancadas o espectador 5 milhões e em que, caso o Benfica marque por duas vezes, se atingirá a marca dos 5000 golos “encarnados” em competições oficiais, também Nuno terá um encontro com os números, pois será homenageado pelo facto de ter ultrapassado a marca dos 150 remates certeiros de águia ao peito. «Sinto-me feliz por ter atingido uma marca tão bonita como são 150 golos, mas, enquanto avançado, não posso esconder a vontade que teria em ser eu a rematar para o golo n.º 5000 do Benfica. De qualquer forma, queremos vencer, pois é isso que mais importa, e marque quem marcar, ficaremos sempre felizes», adianta aquele que diz ter vivido o seu melhor momento na Luz aquando dos festejos da conquista do título nacional, em 2004/05.Vencer para lotarUm momento que, ninguém no Benfica o esconde, será fundamental repetir mais do que uma vez, até para que a Catedral atinja o patamar de simbolismo que a anterior alcançou. Nuno Gomes admite que, no novo estádio, «ainda não se atingiu tal patamar», mas garante que «todo o plantel ambiciona por isso mesmo, sendo para isso que trabalha afincadamente». Um plantel no qual Rui Costa deposita esperanças, ou não fosse, em parte, resultado do seu trabalho, agora fora das quatro linhas: «As pessoas têm sofrido por não termos ganho muitas vezes nos últimos anos e quando sentem que algo pode ser favorável é normal que se entusiasmem e transportem o Clube, vendo-se as bancadas mais cheias, como tem acontecido neste início de época. Resta-nos trabalhar para que a equipa possa voltar a ganhar títulos. Agora já não posso ajudar ao longo dos 90 minutos, mas vivo uma outra Luz, de manhã à noite, trabalhando ao longo de toda a semana para que possa, de alguma forma, contribuir para que as coisas corram bem ao domingo. São autênticos prolongamentos diários que vivo na Luz, fora do relvado, para que o Benfica melhore e para que as pessoas venham cada vez mais ao estádio, o que é sempre um sinal positivo».Palavras sublinhadas pelo presidente: «Estamos contentes com a participação dos benfiquistas na vida do Clube, também ao nível das assistências, mas é óbvio que sentimos ter condições para que este estádio possa estar sempre cheio. Temos trabalhado em prol de um Benfica que possa ser cada vez mais forte, que se mostre ambicioso dentro de campo e que faça vibrar os adeptos nas bancadas. Sabemos que estamos cada vez mais perto desse objectivo e também temos noção que, à medida que tal se concretize, a Luz vai encher, por sistema. No entanto, cabe-nos lembrar que a presença maciça dos adeptos é fulcral para que possamos atingir tal objectivo. Ou seja, uma parte terá de ajudar a outra e vice-versa». Vieira recorda, a esse nível, a importância que é o apoio às modalidades: «É importante que os nossos adeptos façam o "Inferno da Luz" também no apoio às nossas modalidades. Os nossos pavilhões têm de ter mais vida, pois apresentamos equipas para vencer e algumas delas estão mesmo a consegui-lo a um nível como há muito não se via. É hora de os benfiquistas se unirem em torno das nossas modalidades».Benfica como um todoO caminho está traçado. Estes são os homens que, de águia ao peito, seja no escritório ou no relvado, lutam pelo mesmo: dar simbolismo de vitória ao novo estádio para que, tal como aconteceu com o antigo, os adeptos revejam nele a casa de uma equipa Gloriosa. «Este estádio foi feito para estar sempre cheio. A indústria do futebol acaba por se inserir no mundo do entretenimento, onde o conteúdo é rei. Se o conteúdo for bom as pessoas aderem, se assim não for torna-se mais difícil que isso aconteça. Assim, se queremos o estádio cheio temos de encarar como principais prioridades garantir conteúdos fantásticos no relvado. A maneira de trazermos as pessoas ao estádio passa por proporcionarmos bons espectáculos. E o Benfica trabalha como um todo, sempre em benefício do futebol, que é a nossa área de negócio central», lembra Soares de Oliveira.«É um caminho feito de coragem e inovação. Um caminho que foi muito além do sentimento de mudança, pois gerou capacidade para que o Clube pudesse caminhar em passos seguros para o futuro. Tudo isto numa casa mais moderna, mais funcional e com maior capacidade de gerar receitas. A antiga Luz terá de ficar sempre guardada na nossa memória, não só pela grandiosidade, como também pelos muitos momentos de glória que nela vivemos, mas na nova Catedral todos sentem um Benfica de futuro, mais moderno e com melhores condições. No fundo, o novo estádio representa a vontade do Benfica em enfrentar os desafios do futuro com as melhores ferramentas», reforça Luís Filipe Vieira. Uma ferramenta que, para Soares de Oliveira, será «jovem» o suficiente para que, caso avance uma candidatura Ibérica para a organização do Mundial 2018, «seja o palco de grandes eventos internacionais». Ou não tivesse deixado esta de ser uma Luz ao fundo do túnel, para se tornar na Luz que ilumina todo o horizonte benfiquista.


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